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O Mickey agradece o real valorizado

Por Andreas Müller
“Sinceramente? Na minha opinião, a Disney deveria enviar um cheque por ano ao presidente do Brasil”. É assim que Jim Cunningham, um dos mentores do modelo de serviços da Disney, define a atual importância do público brasileiro para o desempenho de seus parques na Flórida. Pouco antes de ministrar uma palestra em Porto Alegre na tarde desta quarta-feira, Cunningham recebeu a imprensa e explicou que, desde o início do Plano Real, o Brasil responde por um dos públicos mais cativos da Disney.

jim-disney-350“A certa altura, quando o câmbio estava um para um, criou-se por aqui uma tradição. Os filhos completam 12 anos e vão para a Disney. De lá para cá, o câmbio chegou a estar quatro para um, em 1998. Mas o movimento continuou”, contou ele. Bem-humorado, vestido com motivos do Mickey na gravata, abotoaduras e até no relógio. Cunningham disse que, hoje, o Brasil é o segundo país que mais envia turistas à Disney, atrás apenas do Canadá. Em média, cada visitante passa entre 6 e 7 dias em Orlando – período que costuma ser usado não só no parque da Disney, mas também nos inúmeros shoppings da cidade.

Em Porto Alegre, Cunningham realizou uma pequena palestra a convite da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre. Tema: o modelo de gestão da Disney, que é base de referência para os sistemas de serviços de grandes companhias como Apple, Ikea e Harley Davidson. Ele próprio ajudou a consolidar esse modelo ao longo dos 17 anos em que trabalhou na Disney – hoje, já aposentado, tem a responsabilidade de gerenciar os programas de desenvolvimento profissional do Disney Institute. Na palestra, Cunningham escolheu um tema singelo para ilustrar a complexidade do modelo Disney: os estacionamentos.

“Todos os dias, recebemos 30 mil pessoas em cada um dos nossos quatro parques no mundo. Vocês não fazem ideia de todos os problemas que acontecem em nossos estacionamentos”, disse ele. Muita gente, afirmou, esquece não só onde deixou o carro, mas também onde guardou as chaves. “Isso sem contar alguns casos em que o motorista esquece o carro ligado no estacionamento, com as chaves na ignição. É como se o carro tivesse capacidade de se estacionar sozinho e as chaves fossem para o bolso do motorista em um passe de mágica”.

Para reduzir ao mínimo esses e outros inconvenientes, a Disney adota um padrão rígido – porém simples – de gerenciamento. Cada fila do estacionamento recebe um nome e é monitorada por ordem de chegada. “Assim, é possível localizar rapidamente cada veículo a partir da hora aproximada em que ele chega”, exemplificou Cunningham. Ao todo, diz ele, 15 mil funcionários trabalham no parque da Flórida. No mundo todo, o quadro sobe para 57 mil pessoas.

 

A palestra de Cunningham marcou o lançamento de uma missão empresarial que a CDL Porto Alegre está prestes a organizar para Orlando. Marcada para setembro, a missão prevê três dias de visitas técnicas a parques, shoppings, lojas e outras empresas da cidade – todas elas acompanhadas pelo executivo da Disney. Nesta semana, as inscrições para a missão estão abertas somente para associados da CDL. Posteriormente, serão aceitas empresas em geral, dependendo do número de vagas que restar – o objetivo é chegar a 30. Mais informações no site da CDL.

Fonte: Revista Amanhã, dia 22 de junho.

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