Educação
Fãs, não. Fanáticos pelas marcas
Convencionou-se afirmar, desde meados do século passado, que as marcas são "a religião da nossa época". Depois que uma pesquisa de neuroimagem mostrou que pensamentos religiosos e aqueles relacionados às marcas ativavam as mesmas áreas do cérebro, o tal clichê ganhou verniz científico.
A analogia entre marcas e religião é meio forçada, mas vale provocar uma reflexão a partir dela.
Em sociedades democráticas, como a nossa, preferências religiosas tendem a ser respeitadas e consideradas saudáveis – a não ser que descambem para o fanatismo. Mais do que uma inconveniência social, o fanatismo religioso é uma temeridade, pelo que representa de ameaça à harmonia entre as pessoas e os países.
Pois bem: se as religiões têm seguidores moderados e fanáticos, as marcas não são diferentes. Têm seus admiradores (ou fãs) e seus aficionados mais ferrenhos, verdadeiros fanáticos.
Estes últimos, chamados de "radicais" por três autores na edição de agosto da Harvard Business Review, chegam a gastar mais de 10% de sua renda com a marca.
Até aí, tudo (mais ou menos) normal. Mas o fanatismo pode extrapolar os limites do razoável. Exemplos:
* um consumidor comprou 99 pares de um mesmo modelo de tênis Nike;
* outro comprou 150 câmeras Canon desde 2006;
* um terceiro fez as três refeições do dia, 5 vezes por semana, em uma rede de fast food de comida chinesa dos EUA;
* um quarto consumidor não bebe outra coisa além de Coca-Cola há mais de 20 anos.
Diante desses casos, é de se perguntar: o que fazer com consumidores assim? É correto incentivar tamanha veneração? Qual a fronteira entre a preferência pura e simples de um comportamento pouco saudável?
O mesmo se poder perguntar sobre os radicais religiosos – num sinal de que, embora exagerada, a comparação entre marcas e religiões pode ter lá seu fundamento.
Informações do curso
Modalidade: Lato Sensu
Carga Horária: 390 horas
Mensalidade: 1 + 25 de R$ 347,63 - Total: R$ 9.038,38

