Educação
Apagão: caos e incerteza
O apagão deste ano, paradoxalmente, vem causando maior repercussão, a despeito do seu menor impacto sócio-econômico e de sua ínfima duração (cerca de cinco horas). Para se ter ideia, constata-se que a procura em conhecido site de busca dos vocábulos “apagão” e “2001” conjuntamente (sem “2009”) gera 23.900 resultados, ante 647.000 na combinação do primeiro termo com “2009” - excluindo “2001” - entre 19 e 26/11/2009.
O apagão 2009 implicou, até o momento, em caos e incerteza. O caos fora provocado no seu decorrer, por exemplo, com a queda no comércio e a inacessibilidade dos meios de transporte, comprometendo o desempenho de indicadores de atividade de novembro, tais como produção industrial e vendas no varejo. Lembra o blecaute dos EUA em 2003, que deixou mais de 50 milhões sem luz por pelo menos quatro horas. Como se não bastasse, causado pela própria distribuidora de energia elétrica – o “Caso Enron” - para forçar uma subida dos preços, diferentemente dos apagões tupiniquins.
Já a incerteza ex-post está na depuração de suas causas pelo ONS, condição sine qua non para se indicar novas medidas. Sabe-se apenas que o problema reside nas linhas de transmissão de Itaipu. Dada a participação da usina com 20% da energia consumida, o Sistema Interligado Nacional (SIN) entrou em colapso com a sobrecarga de energia. Ou seja, a manifestação deste blecaute difere do análogo de 2001, originado pela falta de energia – em virtude dos baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas na época - ao invés de um incidente isolado no segmento de transmissão.
Outra incerteza se deu em relação à confiabilidade do SIN. Segundo o Diretor da ONS, a probabilidade deste evento apresentar um efeito dominó sobre o sistema é baixíssima, não justificando obras para assegurar risco nulo de novas ocorrências, visto a inviabilidade de seu custo-benefício. Adicionalmente, conforme conclui estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o nível de confiabilidade do SIN tende a se manter constante em 2007-2016.
Desse modo, pelas razões acima expostas, não se justifica o clima de incerteza quanto ao SIN, quiçá a temeridade de um novo racionamento. Para se balizar uma avaliação desta possibilidade, deve-se atentar para a evolução da geração de eletricidade, confrontando com seu respectivo consumo. Analisando o último balanço energético divulgado pela EPE, constata-se que o consumo de eletricidade aumentou 38% em 2001-2008, acima dos 33% na oferta interna bruta de eletricidade (OIEE). Inversamente, a dependência externa de energia reduziu para 8% em 2007 (ante 10,3% em 2001). Já o volume de água nos reservatórios, segundo o ONS, chegou a 183% da média em setembro. Considerando estes indicadores, não há motivos para as especulações acerca de uma reedição de 2001, até porque hoje se conta com termelétricas próximas dos centros de consumo, devendo ficar mais ociosas em 2010.
Por outro lado, para evitar novos contratempos, faz-se necessário atender a demanda futura, cuja expectativa é de ascensão em virtude da Copa de 2014, com obras e empreendimentos exigindo mais eletricidade. O clima de caos e incerteza derivado do último blecaute somente acena com a importância do setor elétrico. Mas desviar a atenção da política energética para corrigir essa falha de parca contingência não é a melhor forma de contornar o problema, devendo-se aguardar a conclusão do relatório do ONS para se efetuar as ações necessárias.




