Educação
Quem precisa de pesquisa?
As pesquisas eleitorais não previram o crescimento de Marina Silva às vésperas do 1º turno. Fora com as pesquisas! Os institutos acertaram na mosca o resultado do 2º turno. Viva as pesquisas!
As reações não são muito diferentes dessas que transcrevi acima. Épocas de eleição são propícias a se debater, em tons polêmicos, o assunto.
Mas e aí, qual a real utilidade de uma pesquisa, seja ela eleitoral, acadêmica ou empresarial?
Comecemos pelo óbvio: pesquisas são úteis mas não são bolas de cristal. Devem ser interpretadas com parcimônia.
Por quê? Os institutos não são confiáveis?
Não, não é isso. É que pesquisas partem do princípio de que aquilo que as pessoas fazem ou pensam pode ser traduzido em palavras - o que é verdadeiro, mas obviamente contém limitações. Essas limitações são do próprio pesquisado, que nem sempre consegue ou tem interesse em expressar algo, ou mesmo do pesquisador, que restringe as opções de resposta a um conjunto pré-definido de alternativas. E isso não é falha metodológica ou qualquer coisa do gênero; é uma limitação da técnica, só isso.
No caso das empresas, uma boa orientação sobre quando fazer pesquisas é dada pelo publicitário Julio Ribeiro. Diz ele que pesquisas não devem aumentar o conhecimento das empresas sobre o que elas já sabem. Devem, sim, 1) mostrar o que as empresas não sabem; ou 2) mostrar o que elas já conhecem sob outro ângulo.
Com esses princípios em mãos, fica mais fácil definir o objetivo da pesquisa e a técnica a ser empregada. E, também, de ter parâmetros através dos quais julgar o que anda sendo feito pelo departamento de pesquisas da companhia.





